Renda fixa acima de 1% ao mês? Ainda existe sim!

Bem amigos, já faz algum tempo que as taxas de juros recuaram e a falsa impressão de ganhos elevados com renda fixa, o paraíso do 1% ao mês se foi. Ou não?

Sim e não. Sim para a falsa impressão, já que CDB pagando 1% ao mês como víamos há uns dois anos era uma ilusão pois vivíamos num momento de inflação acima dos 10% ao ano, o que corroía boa parte desses ganhos. Mas também tem o não. Não porque com o crescimento das plataformas independentes de distribuição de produtos de investimentos as opções de títulos e a disputa entre os emissores pelo dinheiro dos investidores pode nos favorecer.

Mas para de fato encontrar as melhores oportunidades de investimento precisamos dar uma olhada pro lado de fora da caixinha, assim como fizemos quando aprendemos que existe vida fora da caderneta de popança. Estou falando do Mercado de Capitais.

Nós queremos que o país volte a crescer e a se desenvolver, gerando emprego, renda, mas pra que isso aconteça é necessário ter dinheiro para investimento. Sabemos que o dinheiro dos bancos é muito caro e que o do governo, por conta da burocracia, demora tanto que muitas vezes a janela de oportunidade passa. É aí que o mercado de capitais surge como uma alternativa que une projetos de empresas para desenvolver suas atividades produtivas e poupadores em busca de taxas mais atrativas para seu dinheiro.

A CVM (Comissão de Valores mobiliários) autoriza as empresas privadas a captar de recursos através da emissão de títulos que serão ofertados no mercado, dando como contrapartida créditos financeiros a receber para a remuneração dos investidores. Dessa forma, o investidor comum pode, direta ou indiretamente, investir nos projetos das empresas.

Essas emissões costumam entregar taxas bem mais atrativas para aqueles que compram esses títulos, e isso se dá por algumas razões: Nem sempre as empresas são muito conhecidas e mesmo sendo financeiramente saudáveis, terem apresentado as garantias e passado pelo crivo dos órgãos reguladores, ainda assim o investidor brasileiro ainda torce o nariz por não conhecer bem o funcionamento desse mercado. A forma que as empresas encontram para contornar esses obstáculos e evitar que os títulos fiquem encalhados nas distribuidoras é oferecer taxas mais agressivas.

Claro que como todo produto de investimento essa classe de ativos tem seu grau de risco, e assim como aprendemos a investir em bancos de segunda linha, investir em empresas que não pertencem ao sistema financeiro pode sim ser uma excelente escolha. Basicamente o risco que estamos sujeitos num investimento em Crédito Privado, essa é a denominação que identifica esse tipo de ativo, é o da inadimplência dos créditos e as garantias serem acionadas.

Normalmente esses títulos possuem garantias reais, que podem ser imóveis ou algum patrimônio tangível da empresa que caso necessário é executado para ressarcir os cotistas em 100% do valor investido sem limite.

Particularmente eu acredito muito mais nessa forma de garantia que o FGC (Fundo Garantidor de Crédito), usado pelos bancos para garantir algumas modalidades de investimento. O FGC é limitado a R$250.000,00 por CPF e por instituição, mas se você buscar bancos de segunda linha, pulverizar sua carteira e ainda assim tivermos um evento como o da crise de 2008 com efeito cascata que afetem os bancos menores não há muito como se defender.
O mais importante no momento de adquirir um produto de crédito privado, seja CRI, CRA, CCB, CCI, Debêntures, etc., é conhecer o tipo e a origem do crédito que remunera o título e seu rating (classificação de risco dada por agência especializada), pesquisar sobre a empresa e a garantia, e só adquirir títulos chancelados por CVM e CETIP. Tomando essas precauções você faz uma ótima gestão do risco e não há com o que se preocupar.

No mercado financeiro temos um jargão que diz que não existe almoço grátis. Essa é a grande verdade para quem deseja remunerar melhor suas economias. Em tempos de juros baixos é necessário tomar um pouco mais de risco, conhecer todas as oportunidades existentes e exigir sempre mais do seu assessor de investimentos.
É hora de entrar em AÇÃO!